| Feira
Nacional de Artesanato terá seminário sobre
Comércio Justo
Palestrante virá da Alemanha, acompanhado
de lojistas dos EUA e Grécia. Objetivo é incluir
artesanato brasileiro na cadeia do fair trade
A décima sétima edição
da Feira Nacional de Artesanato – a maior do gênero
em toda a América Latina –, que será
realizada entre os dias 21 a 26 de novembro próximo,
no Expominas em Belo Horizonte, além das tradicionais
atrações vai trazer novidades ao conhecimento
do público. Uma delas será o seminário
Comércio Justo, modalidade econômica praticada
no hemisfério norte desde os anos 60 e que, gradativamente,
tem ganhado terreno na mídia, na economia e no imaginário
sul-americanos. O alemão Manfred Winkler que trabalha
com comércio justo desde 1973, na empresa Globo Fair
Trade Partner, será o palestrante. Ele virá
ao país especialmente para o evento, e estará
acompanhado dos lojistas Phil Smith (EUA), Álvaro
Perry (Grécia) e Jonathan Willians (EUA) também
militantes do comércio justo. Juntos, irão
percorrer algumas localidades mineiras para conhecerem os
modos de produção de artesãos e, posteriormente,
comercializar seus produtos no exterior.
O público-alvo principal do seminário
serão os próprios expositores, mas todos os
que comparecerem na XVII Feira Nacional de Artesanato serão
bem-vindos. O seminário será no dia 22 de
novembro e, posteriormente, Winkler e os lojistas Perry
e Smith estarão à disposição
para um bate-papo com o público que quiser informar-se
melhor sobre a natureza das operações de comércio
justo.
A vinda desses lojistas será custeada
pelo Projeto Comprador Internacional- uma iniciativa da
Apex-Brasil e do Instituto Centro Cape.
Comércio justo
O movimento do comércio justo teve
início na Holanda, onde foi aberta a primeira loja
baseada nos princípios do fair trade, em 1969. A
partir de então, outros países europeus começaram
a praticar os mesmos fundamentos e, atualmente, Estados
Unidos, Canadá e Japão já estão
incorporados ao movimento mundial de comércio justo.
Na prática, o comércio justo se dá
entre consumidores, nos países ricos, e pequenos
produtores do hemisfério sul que teriam pouca ou
nenhuma chance de competir em mercados globais com os grandes
capitalistas. O conceito se baseia na aquisição
pelo consumidor de produtos comercializados de maneira responsável,
e que possibilitem remuneração justa e condições
de trabalho favoráveis (igualdade de remuneração
para homens e mulheres e erradicação dos trabalhos
escravo e infantil), incluindo o uso sustentável
dos recursos naturais.
Desde 1990 existem entidades que congregam as ONGs e empresas
que trabalham com o comércio justo. A Associação
Européia de Comércio Justo (EFTA), a Federação
Internacional de Comércio Alternativo (IFAT) e uma
organização de certificação
de produtos de comércio justo, a FLO (Fair Trade
Labelling Organization), são algumas delas. O advento
desses organismos permitiu uma padronização
de procedimentos e a ampliação da compreensão
internacional do conceito de fair trade: uma relação
comercial baseada no diálogo, na transparência,
no respeito, na justiça e no desenvolvimento sustentável.
A prática do comércio justo pressupõe
contratos de longa duração, apoio para aquisição
e desenvolvimento de técnicas de produção,
ambiente de trabalho cooperativo e remuneração
justa ao produtor, com preço justo para o consumidor.
O objetivo é humanizar a cadeia comercial, diminuindo
a distância entre produtor e consumidor.
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