Feira Nacional de Artesanato separa espaço para peças de design diferenciado
Sucesso de ano anterior amplia mostra. Projeto atende a anseios de lojistas e expositores e ajuda a elevar nível de qualidade do artesanato brasileiro
Em reconhecimento ao sucesso que fez o Espaço Design na Feira Nacional de Artesanato de 2006, a organização do evento ampliou a capacidade e promoveu melhorias no que agora está sendo chamado de Espaço Especial . A idéia era uma reivindicação antiga de lojistas e artesãos que sentiam a falta de um local específico na Feira para a exposição de determinados produtos diferenciados. Em 2007 , expositores e compradores poderão conferir, no Nível Foyer do Expominas, trabalhos que integram conceitos de design em sua cadeia de produção. Segundo Marcelo Maia, um dos curadores do Espaço Especial, “foram selecionados para este setor específico da Feira, artesãos que transmitem em suas peças uma linguagem contemporânea, demonstrando criatividade e uma identidade autora l –seja em relação ao artista em si ou a aspectos regionais, como técnicas e/ou materiais–, e design aplicado”.Maia lembra que faz parte do conceito do Espaço Especial a capacidade comercial dos produtores. “Os artesãos têm de ter comprovada capacidade de atender às demandas que possam surgir durante a Feira Nacional de Artesanato. Apesar de não ser este um critério primordial da curadoria do Espaço, é importante que aconteça, pois este será um local muito procurado por lojistas que vêm à feira fazer o estoque de fim de ano”, considera. O artesão Cléber Wiermann, que participou em 2006 do então Espaço Design , conta que somente no dia reservado aos compradores do atacado vendeu mais de R$ 10 mil. “Foi uma correria para conseguir repor o estoque para os demais dias da feira”, comemora.
Um bom exemplo do que o Espaço Especial vai apresentar em termos de diferenciação em relação ao restante da Feira é a grife Sapoti – A Arte da Mata, que vem de Belém (PA) expor embalagens e brindes inéditos no mercado de Minas Gerais, produzidos a partir de folhas desidratadas da região amazônica. “Na verdade, o Brasil só conhece nosso trabalho a partir do Rio de Janeiro”, conta Francisco Antônio dos Santos, diretor da Sapoti. “Grande parte de nossa produção fica em mercados como a França, Itália e países da América Central”. A linha da Sapoti é desenvolvida com a participação da população ribeirinha da Amazônia e com a preocupação de explorar os recursos naturais da região de maneira sustentável. O que vai ao encontro do que apregoa um dos conceitos básicos do Espaço Especial, segundo o curador Marcelo Maia. “Parte dos expositores do Espaço são certificados pelo programa do Selo IQS de Qualidade. Outros estão a caminho de obter a certificação, mas todos se enquadram em um padrão que leva em conta todos os aspectos produtivos, desde a remuneração justa dos trabalhadores, passando pela preocupação com o meio-ambiente, até a capacidade de atendimento e distribuição dos produtos”.Maia, que é artista plástico e também expositor, considera que “o mais legal do Espaço Especial é que ele ajuda a estabelecer novos padrões de qualidade para os artesãos que ainda não podem fazer parte dessa mostra particular”. A tendência é tão clara que, no ano de 2007, serão 92 estandes aprovados pela curadoria contra 52 do ano passado .
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